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Governo envia projeto para elevar limite do MEI para R$ 140 mil e permitir 2 funcionários

Proposta protocolada no Congresso prevê teto progressivo para o MEI até 2028 e permissão para dois funcionários. Veja os impactos no caixa e na operação.

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O Palácio do Planalto deu o pontapé inicial em uma das mudanças mais aguardadas pelos pequenos negócios no país. O Executivo enviou ao Congresso Nacional um Projeto de Lei Complementar (PLP) focado em reformular as bases do Microempreendedor Individual (MEI). A proposta principal é nítida: elevar o teto de faturamento anual para até R$140 mil e dobrar a capacidade de contratação da categoria, permitindo até dois empregados de carteira assinada.

O texto foi entregue em mãos ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). Fruto de uma articulação direta que envolveu os ministérios do Empreendedorismo, da Fazenda, do Planejamento e da Gestão, a medida ataca um problema antigo: a defasagem do teto, congelado desde 2018. Com o peso da inflação acumulada nesses oito anos, o limite atual de R$81 mil virou uma barreira invisível para quem precisa expandir a operação.

Para os mais de 13 milhões de microempreendedores registrados no Brasil, o projeto sinaliza uma saída burocrática viável, permitindo faturar mais sem o salto imediato para as regras tributárias mais complexas de uma microempresa.

A rampa de transição: como funciona o escalonamento até 2028

O governo optou por não virar a chave de uma vez só. Para dar fôlego ao caixa da União e permitir a adaptação do mercado, o projeto prevê um cronograma dividido em duas etapas bem delimitadas:

  • Regra vigente (2026): limite de R$81 mil e apenas 1 funcionário contratado.
  • Janeiro de 2027: o teto sobe para R$110 mil e passa a valer a permissão para até 2 funcionários.
  • Janeiro de 2028: o limite atinge o teto definitivo de R$140 mil, mantendo a vaga para até 2 funcionários.

A lógica econômica por trás desse desenho é mitigar o chamado "efeito penhasco". Hoje, quando um MEI fatura um real acima dos R$81 mil, ele é empurrado para o regime de Microempresa (ME), enfrentando custos administrativos e alíquotas que pesam logo de largada. Com o novo teto, a transição ganha uma rampa suave. A Receita Federal calcula uma renúncia de R$136 bilhões para o Simples Nacional, mas a equipe econômica aposta que a folga financeira vai retornar na forma de novas contratações e consumo na economia real.

Leia também: Qual a diferença entre MEI e ME e as vantagens de cada um.

O segundo funcionário: alívio operacional ou risco no caixa?

Poder registrar um segundo trabalhador sob as regras da CLT altera a dinâmica de oficinas, salões de beleza, pequenas confecções e comércios de bairro. Na rotina do MEI, o dono costuma acumular as funções de financeiro, vendedor e técnico. O braço direito extra ajuda a descentralizar e destravar o crescimento do negócio.

Porém, a matemática interna precisa ser exata. Dois funcionários significam duplicar custos com salários, encargos previdenciários, férias e décimo terceiro. Se o empreendedor não colocar esses valores na ponta do lápis na hora de calcular o preço do seu produto ou serviço, o aumento de faturamento vira ilusão. O ganho de produtividade com o novo contratado deve, obrigatoriamente, cobrir o custo de manter essa estrutura rodando.

Leia também: Admissão de funcionários: passo a passo legal estratégico.

Onde o novo teto cruza com a Reforma Tributária

Existe um pano de fundo ainda maior nessa engrenagem legal. A Reforma Tributária sobre o consumo manteve o Simples Nacional e o MEI blindados em suas regras básicas de impostos unificados. Mas o ecossistema de negócios ao redor está mudando rápido. Com a transição para os novos tributos (IBS e CBS) em andamento, manter a empresa organizada de ponta a ponta deixa de ser preciosismo e vira questão de sobrevivência.

A ampliação do MEI cria uma zona de proteção. O empreendedor ganha tempo para amadurecer a gestão de fluxo de caixa, estoque e emissão de notas. Quem se organiza agora reduz riscos operacionais e financeiros. Chegar estruturado ao momento de migrar para o regime geral da Reforma Tributária faz toda a diferença entre prosperar ou se perder no labirinto fiscal.

Leia também: Reforma Tributária e Simples Nacional: o que muda em 2026?.

Perguntas frequentes sobre a mudança no MEI

Qual o valor do novo limite proposto?

O projeto estipula R$110 mil para o ano de 2027 e R$140 mil a partir de 2028.

Quantos funcionários o MEI poderá registrar?

Até dois colaboradores formais simultaneamente, conforme o texto enviado ao Legislativo.

A nova lei do MEI já começou a valer?

Ainda não. Como se trata de um projeto de lei complementar, ele precisa passar por votação e aprovação na Câmara dos Deputados e no Senado antes de seguir para sanção presidencial.

O relógio começou a correr para o Congresso e para o planejamento estratégico das empresas. A necessidade de profissionalizar a gestão financeira bate à porta mais cedo do que muitos imaginam. Ficar de olho nos prazos e nos detalhes técnicos evita surpresas fiscais quando as novas regras entrarem em vigor.

Fique por dentro de tudo da Reforma Tributária com a Omie.
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