A Receita Federal divulgou o novo balanço sobre as solicitações de enquadramento tributário para 2027. Os dados revelam um movimento vigoroso no ambiente de negócios brasileiro: enquanto o Simples Nacional tradicional registrou 392.117 solicitações, a busca pela apuração do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) pelo regime regular atingiu expressivas 817.461 adesões.
Esse volume, mais que o dobro das solicitações tradicionais, marca a consolidação do chamado "Simples Híbrido", modelo em que a micro ou pequena empresa mantém o recolhimento unificado de tributos federais, estaduais e previdenciários no DAS, mas migra a apuração do consumo para a regra geral. O salto é expressivo frente aos 447 mil pedidos registrados na apuração anterior.
O raio-X dos números: por que o B2B prefere o regime regular de IBS e CBS
O levantamento oficial traz dois retratos distintos do mercado. Do total de 392.117 pedidos de opção pelo Simples Nacional clássico, apenas 145.516 foram deferidos de imediato. Outros 246.601 apresentaram pendências cadastrais ou fiscais. Por outro lado, a marca de 817.461 solicitações para o regime regular de IBS e CBS indica uma escolha consciente e estratégica, puxada sobretudo por empresas com atuação B2B.
| Modalidade de opção | Solicitações registradas | Situação deferida | Pendências a regularizar |
|---|---|---|---|
| Simples Nacional tradicional | 392.117 | 145.516 | 246.601 |
| Regime regular IBS e CBS (Simples Híbrido) | 817.461 | Processamento contínuo | Prazo até 30/10/2026 |
A explicação para essa migração em massa está na mecânica de créditos tributários inaugurada pela Reforma Tributária do Consumo. No regime unificado do Simples Nacional tradicional, o comprador pessoa jurídica que adquire produtos ou serviços de uma MPE toma um crédito tributário limitado, proporcional apenas à alíquota efetiva recolhida no DAS. Quando a MPE opta pelo recolhimento por fora do IBS e da CBS, a operação passa a creditar o valor integral da alíquota padrão para o cliente corporativo.
Para fornecedores de peças, insumos, serviços corporativos e tecnologia, conceder o crédito cheio tornou-se condição de sobrevivência comercial. Clientes de médio e grande porte priorizam parceiros que gerem crédito integral de IBS e CBS para abater em seus próprios débitos tributários, evitando o encarecimento da cadeia de suprimentos — movimento que já redefine a escolha de fornecedores do Simples Nacional.
Leia também: CGSN oficializa o Simples Nacional Híbrido.
246 mil solicitantes em alerta: prazos e passos para regularizar pendências
O alto índice de indeferimentos provisórios no Simples Nacional acendeu o alerta nos escritórios contábeis e nas mesas diretoras. Mais de 60% das solicitações esbarraram em débitos inscritos na Dívida Ativa, divergências no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) ou ausência de licenças municipais e estaduais. Atenção redobrada para quem ainda não ajustou o cadastro ao novo CNPJ alfanumérico.
O Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) ajustou o calendário regulatório para assegurar o tempo hábil de adequação:
- Opção pelo Simples Nacional para 2027: encerramento das novas solicitações em 15 de outubro de 2026.
- Regularização de pendências impeditivas: prazo final estendido até 30 de outubro de 2026.
- Opção pelo regime regular do IBS e da CBS: vigência das adesões para o primeiro semestre de 2027 confirmada até 30 de outubro de 2026.
- Janela de retratação ou cancelamento: de 3 de novembro a 20 de dezembro de 2026.
Resolver pendências tributárias na última hora exige agilidade e cruzamento de dados. A identificação prévia de débitos previdenciários, fiscais e de tributos municipais e estaduais evita que a empresa seja surpreendida com a exclusão do regime favorecido na virada do ano.
A complexidade operacional do Simples Híbrido e o papel da tecnologia
Apurar IBS e CBS no regime regular enquanto se mantém no Simples Nacional para o IRPJ, a CSLL, a CPP e o ISS traz um ganho comercial indiscutível, mas adiciona uma camada extra de complexidade à rotina fiscal. A empresa precisa lidar com duas lógicas simultâneas de emissão de notas fiscais, memórias de cálculo diferenciadas e novas obrigações acessórias.
Tentativas de gerenciar esse modelo misto em planilhas manuais ou sistemas legados aumentam exponencialmente o risco de autuações e erros no preenchimento de documentos fiscais. Vale lembrar que, no novo modelo, a nota fiscal passa a ser confissão de dívida. É exatamente nessa intersecção entre legislação e rotina diária que a automação se faz indispensável.
Um ecossistema de gestão como a Omie resolve esse desafio na raiz. Por meio do seu Motor de Impostos configurado nativamente na nuvem, a plataforma identifica automaticamente se a operação deve calcular o IBS e a CBS pelo regime regular ou pela regra unificada do DAS. A alíquota correta é aplicada no momento de emissão da NF-e ou NFS-e, atualizando simultaneamente os módulos de estoque, faturamento e fluxo de caixa, sem necessidade de digitação duplicada.
Além disso, a integração direta com o Painel do Contador permite que a assessoria contábil monitore em tempo real os relatórios de apuração e a situação fiscal da empresa, identificando gargalos ou débitos pendentes muito antes do vencimento dos prazos oficiais.
Reforma Tributária na prática: acompanhe o que muda em cada fase e prepare seu negócio na central da Reforma Tributária da Omie.
Perguntas frequentes sobre a opção do Simples Nacional e IBS/CBS
O que é o Simples Híbrido trazido pela Reforma Tributária?
É a modalidade na qual a empresa continua recolhendo seus impostos tradicionais (como IRPJ, CSLL e CPP) unificados via DAS, mas opta por apurar e recolher o IBS e a CBS pelas regras do regime regular (não cumulativo). Essa escolha permite transferir crédito tributário integral para clientes pessoa jurídica.
Minha empresa atua apenas no mercado B2C. Vale a pena optar pelo IBS/CBS regular?
Para empresas que vendem diretamente ao consumidor final, o crédito tributário não é fator de decisão para o cliente, pois a pessoa física não aproveita créditos fiscais. Nesses casos, o Simples Nacional tradicional costuma ser financeira e operacionalmente mais vantajoso, mantendo a carga reduzida no DAS.
O que acontece se eu não regularizar minhas pendências até 30 de outubro de 2026?
A solicitação de opção pelo Simples Nacional será indeferida em caráter definitivo para o ano-calendário de 2027. Com isso, a empresa será enquadrada automaticamente no Lucro Presumido ou Lucro Real, o que pode aumentar significativamente a carga tributária e as exigências operacionais.
Posso cancelar a opção pelo regime regular do IBS e da CBS se perceber que não foi vantajosa?
Sim. O CGSN estabeleceu uma janela de cancelamento ou retratação entre 3 de novembro e 20 de dezembro de 2026, permitindo que os empresários revisem suas simulações com o apoio de seus contadores antes que a regra passe a vigorar em 1º de janeiro de 2027.
Leia também: Crédito presumido: imposto fictício para abater o IVA.
Preparando o seu negócio para a nova era fiscal
A adesão maciça ao regime regular do IBS e da CBS comprova que a Reforma Tributária deixou de ser uma discussão teórica para se tornar um elemento central do planejamento estratégico. Quem se antecipa e estrutura seus processos garante vantagem competitiva no mercado B2B, preserva margens de lucro e fortalece o relacionamento com grandes clientes. O novo Fisco digital deixa pouco espaço para improviso.
Adequar a empresa a essas transformações não precisa ser um pesadelo burocrático. Com informação clara, parceria contábil alinhada e o suporte do sistema de gestão da Omie, sua gestão ganha a previsibilidade e a segurança necessárias para transformar mudanças legais em oportunidades reais de crescimento.







